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Cinema e protagonismo de artistas negros são temas de debate no Mucane

Cinema e protagonismo de artistas negros são temas de debate no Mucane

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Em um ano em que expressões como lugar de fala e palavras como empoderamento e representatividade mediaram o debate cultural e social no Brasil, o Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane) recebe neste sábado (23), a partir das 17 horas, a roda de conversa “Para Onde Você Está Indo? Arte, Política e Visibilidade Negras”, com a participação de Juliano Gomes e Kênia Freitas, e mediação de André Felix.

A proposta do debate é discutir o cinema e a cultura negra através de um viés estético, além de fazer uma retrospectiva e estimular a reflexão sobre como a pauta racial ganhou o centro das atenções em 2017.

“Juliano Gomes e Kênia Freitas são provavelmente dois dos melhores pesquisadores em cinema que temos hoje no país e, além disso, são negros, ou seja, também estão mergulhados em toda a luta por representatividade e expressão dos negros no país. Trazer para o discurso racial a articulação estética é um movimento cada vez mais urgente” pontuou o roteirista e diretor de cinema, André Félix.

A conversa também pretende ampliar o debate para além do cinema, onde a discussão foi acalorada nos festivais nacionais, e trazer para a pauta as discussões sobre o racismo na mídia e o protagonismo de artistas negros no campo das artes visuais. “O objetivo não é restringir o debate ao campo do cinema, mas entender como o campo cinematográfico fertilizou o campo da cultura e da política nesse ano e vice versa”.

Representatividade

Nos últimos anos, a presença de negros nas produções cinematográficas – tanto na frente quanto atrás das câmeras – aumentou, assim como a premiação de cineastas afrodescendentes, mas a representatividade negra ainda está bem abaixo do esperado.

“Em uma população que tem 54% de negros não conseguir atingir nem 10%, tanto de papéis para personagens negros, quanto números de filmes dirigidos e/ou roteirizados por negros nos festivais, é uma situação muito grave” explica Félix.

André acredita que o protagonismo dos negros, tanto para realizar suas próprias narrativas como para protagoniza-las, amplia o foco e abre para discussões experienciadas apenas por negros.

“A tradução dessas imagens para tela de cinema é fundamental para a renovação do próprio cinema enquanto um sistema de sensações. Por outro lado, o aumento de diretores negros e roteiristas negros funciona quase que como uma porta de acesso para os mais jovens poderem encarar o lugar do cinema como um espaço possível”.

Participantes

Juliano Gomes

Crítico, professor e artista. Formado em Cinema na PUC-RJ, Doutorando (ECO-UFRJ). Redator da Revista Cinética. Concebeu o audiovisual de espetáculos de teatro e dança desde 2010. É performer em “Help! I need somebody” (Cláudia Muller). Dirigiu o curta “…” (2007) e “As Ondas” (2016), com Léo Bittencourt. Programa a Sessão Cinética no IMS desde 2009.

Kênia Freitas

Pós-doutoranda do programa de Mestrado da Universidade Católica de Brasília. Doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ. Mestre em Multimeios pela Unicamp. Formada em Comunicação Social/Jornalismo, na Ufes. Realizou a curadoria das mostras “Afrofuturismo: cinema e música em uma diáspora intergaláctica” (2015/ Caixa Belas Artes/SP), “A Magia da Mulher Negra” (2017/Sesc Belenzinho/SP) e Diretoras Negras no Cinema brasileiro (2017/Caixa Cultural/DF e RJ). Escreve críticas cinematográficas para o site Multiplot! Integra o Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

André Félix

Diretor e Roteirista de Cinema trabalhou como roteirista nos filmes “Entreturnos” de Edson Ferreira, “Enchente” de Estevão Meneguzzo e Pedro Coqueiro. Dirigiu e roteirizou os filmes “A Cor do Fogo e a Cor da Cinza”, “Valentina” e o longa-metragem “Diante dos Meus Olhos”. Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Contemporaneidades da UFBA (PósCom) é professor na área de audiovisual há mais de 10 anos.

 

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