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Tabagismo: fumantes têm ajuda para largar o cigarro
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Tabagismo: fumantes têm ajuda para largar o cigarro

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o cigarro mata mais de cinco milhões de pessoas todos os anos.  Muita gente se esforça mas não consegue parar de fumar sózinho. Por conta disso, o sistema público de saúde oferece ajuda a quem deseja largar o cigarro. A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) orienta que o primeiro passo para deixar o tabagismo é querer parar de fumar. Depois de 37 anos fumando, a funcionária pública Rosemary Gonçalves Santos, 52, conseguiu superar o vício e, em abril, pretende comemorar um ano sem cigarro.

Rosemary conta que acordava duas vezes na madrugada para fumar, e entre meia-noite e nove horas já havia fumado cinco cigarros. “Levei cinco meses para parar de fumar. No final, passei dois meses fumando apenas dois cigarros à tarde”, relata. Ela recorda que fumou durante as duas gestações e ao longo de toda a vida dos filhos, hoje adultos e nada simpatizantes do vício.

“Eduquei meus filhos ensinando que droga não é bom, e eles sempre reclamaram do cigarro. Quando eles me questionaram sobre o que eu estava fazendo da minha vida, isso me levou a repensar tudo e serviu de motivação para mim. A religião também me ajudou e ainda ajuda. Quando você reconhece que tem que trazer para sua vida o que é bom, aí você consegue. Porque o cigarro não acrescenta nada de bom”, analisa Rosemary.

Há muitos anos, tantos que nem lembra mais quantos, a funcionária pública participou de um programa de combate ao tabagismo ofertado na rede municipal de saúde. Acompanhada por profissionais, ficou 30 dias sem fumar, mas acabou voltando ao vício. Apesar de ter desistido na época, Rosemary recomenda o serviço e conta que para parar de fumar sozinha ela usou algumas técnicas que aprendeu no programa, como diminuir a quantidade de cigarros gradativamente, beber água quando bate a vontade de fumar e marcar uma data para deixar definitivamente o cigarro.

“Por causa do programa, cheguei à conclusão de que eu tinha capacidade de parar de fumar. Se fiquei 30 dias sem fumar, então eu poderia conseguir ficar mais tempo. Hoje eu ainda penso no cigarro, especialmente em momentos de maior estresse, mas digo para mim mesma todos os dias: ‘não pegue o primeiro cigarro’, porque eu sei que se eu pegar eu vou perder tudo o que eu conquistei”, acrescenta a funcionária pública, que encontrou apoio também num grupo de ex-fumantes em uma rede social.

O fumante pode precisar de ajuda

Há duas formas de parar de fumar: a imediata, em que a pessoa decide parar e para, e a gradual, em que a quantidade de cigarros vai sendo diminuída até cessar completamente. “Dependendo do número de cigarros que a pessoa fuma, pode ser mais difícil parar imediatamente, e talvez ela precise de ajuda. Mas cada um encontra sua maneira. O importante é que a pessoa se conheça e entenda o que a leva a fumar”, diz a coordenadora do Programa Estadual de Tabagismo da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, Hararrija Diório.

De acordo com a coordenadora, nos programas de combate ao tabagismo oferecidos na rede municipal de saúde é utilizada a terapia cognitivo-comportamental, que consiste em ajudar o fumante a entender o que o leva a fumar, a aprender a controlar os momentos de fissura e a mudar de comportamento para evitar recaída. “Chupar gelo, beber água, mastigar canudinho de cenoura ou manter as mãos ocupadas com um elástico ou com uma caneta, por exemplo, ajuda a distrair. Geralmente, a vontade passa em cinco minutos”, diz Hararrija.

De acordo com a coordenadora do Programa Estadual de Combate ao Tabagismo, a nicotina chega ao cérebro entre sete e dez segundos após ser absorvida pelo organismo, por isso o fumante tem a sensação imediata de prazer, o que torna o cigarro tão viciante quanto qualquer outra droga. Ela ressalta que as estatísticas mundiais indicam que apenas 3% dos fumantes conseguem abandonar o cigarro sem a ajuda de medicamentos ou de suporte emocional, por isso, ressalta Hararrija, a máxima para quem conseguiu vencer o vício e para quem nunca fumou deve ser: evitando o primeiro cigarro, evitam-se os outros.

 Muitos já conseguiram

Como confirmam as estatísticas, parar de fumar é difícil mesmo, mas muitos conseguem deixar o vício, como a funcionária pública Rosemary Gonçalves Santos, e passam a ter uma vida com saúde. Dados parciais compilados pela Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo revelam que 1.984 fumantes ingressaram nos programas municipais de combate ao tabagismo no ano passado. Desses, 911 (45,9%) conseguiram deixar o cigarro. As informações, referentes ao período de janeiro a setembro, mostram ainda que 707 (35,6%) pessoas abandonaram o tratamento, enquanto 1.277 (64,4%) concluíram os quatro encontros do programa.

“As 911 pessoas que pararam de fumar representam 71% das que concluíram o tratamento. Essa informação é relevante porque mostra como é importante ir até o fim. Os encontros do programa de combate ao tabagismo são semelhantes aos dos alcoólicos anônimos. Muitas vezes o fumante acha que ele está sozinho com seu problema, mas no grupo ele ouve histórias muito parecidas com a dele. É uma terapia de grupo e um acaba ajudando o outro”, conclui a coordenadora do Programa Estadual de Combate ao Tabagismo.

Veja agora como anda o programa contra o tabagismo em algumas prefeituras da Grande Vitória

Cariacica

O programa contra o tabagismo é ofertado em sete unidades de Cariacica: Bela Vista; Campo Verde; Cariacica Sede; Jardim América; Nova Canaã; Nova Rosa da Penha II e Santa Fé. Em 2015, foram atendidos 580 pessoas no programa e, para 2016, a previsão é de 660. São quatro grupos com duração de 3 meses, ofertado por cada unidade durante o ano, sendo 20 vagas por grupo.
Primeiro acontece uma avaliação individual – a chamada anamnese. É o momento de coleta de dados de toda a história clínica e como fumante do interessado no tratamento e consulta médica, na qual o profissional avalia a necessidade ou não do uso de medicação de apoio para cessação do fumo, além da solicitação dos exames que considerar pertinentes. As medicações de apoio são: adesivo de nicotina nas dosagens de 21mg, 14mg e 7mg; goma de nicotina 2mg e bupropiona.
O programa é ofertado de acordo com as normas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), idealizador do programa e é desenvolvido em forma de grupos terapêuticos. O fumante recebe apoio por meio de terapia cognitivo-comportamental para entender as razões de fumar, como lidar com a ambivalência entre a vontade de parar de fumar e continuar fumando e como enfrentar a crise de abstinência. Em grupo, os inscritos são estimulados a relatar suas experiências, tentativas, êxitos e fracassos ao tentar parar de fumar. A vivência com outras pessoas que estão passando pela mesma fase de ambivalência fortalece o desejo de cessação do fumo na grande maioria.
“É importante ressaltar que a base do programa é a terapia cognitivo-comportamental e que o uso de medicamentos deve ser um apoio secundário. A maioria dos usuários chega até as unidades em busca apenas do adesivo, acreditando que bastaria usá-lo para parar de fumar e isso não é verdade. Quando conhecem a lógica do programa e participam do grupo, vão desconstruindo essa visão.”, informa a prefeitura
No primeiro mês, ocorre uma sessão por semana. Já no segundo, uma a cada 15 dias e, no terceiro, uma por mês. As sessões têm duração de 1h30 e a equipe fornece declaração de comparecimento a quem precisar se justificar no trabalho.
Vitória

Em Vitória em 2015, foram ofertadas 771 vagas para o tratamento de pessoas tabagistas. Para o ano de 2016, a expectativa é de 1000 vagas na rede municipal de saúde, em 26 unidades de saúde.

Os recursos utilizados na atenção às pessoas tabagistas incluem: equipe multiprofissional, micro medidor de monóxido de carbono, boneca Altina e medicamentos.

O programa é desenvolvido na lógica dos territórios de saúde, isto é, cada munícipe é atendido pelas equipes da unidade de saúde das áreas as quais são responsáveis, desde a abordagem básica de fumantes (duração de 3-5 minutos por todos trabalhadores da unidade) até a abordagem intensiva de fumantes (sessões de 90 minutos, geralmente em grupos). A base do tratamento é a abordagem das crenças e do comportamento, visando preparar a pessoa tabagistas para a cessação do tabagismo.

 

Guarapari

Em Guarapari o atendimento é realizado por meio de demanda espontânea, ou seja, o paciente procura o programa que é realizado na Secretaria Municipal de Saúde, que é recebido pelo coordenador do programa para agendamento do início de uma nova turma de tratamento, através de reunião de grupo.

Todos que tem procurado o programa tem recebido tratamento. Só no ano passado mais de 189 pessoas foram atendidas e, neste ano, a previsão é de 211 pessoas.

O programa é oferecido na sede da Secretaria de Saúde, em Muquiçaba, e no CAPS, em Santa Mônica. O interessado responde um questionário onde é verificado o grau de dependência do fumante e, então, é realizado o tratamento medicamentoso para que o paciente possa ser auxiliado a abandonar o hábito. O programa é desenvolvido por meio de reuniões motivacionais em grupo para abandono do vício, além de tratamento medicamentoso caso o paciente não consiga abandonar o hábito.

 

Vila Velha

Em Vila Velha em 2015, foram ofertadas 440 vagas para controle do tabagismo. Em 2016 a previsão é de que sejam ofertadas cerca de 750 vagas. As Unidades que ofertaram tratamento ininterruptamente em 2015 foram: Araçás, Vila Nova, Ibes, Coqueiral de Itaparica. A unidade de Terra Vermelha ofereceu tratamento no primeiro semestre de 2015, sendo interrompido por dificuldades de recursos humanos, e a Unidade de Barra do Jucu iniciou em novembro.As unidades de Paul, Vale Encantado, Jardim Marilândia e Barramares devem iniciar o tratamento em 2016 e Terra Vermelha deve retomar os grupos.

O diagnóstico é feito por meio de um questionário que avalia o paciente quanto ao grau de dependência ao tabaco.

O tratamento é realizado na forma de grupos, com materiais distribuídos pelo Instituto do Câncer (INCA), que envia tanto os manuais utilizados em cada fase do tratamento quanto a medicação indicada.  O programa é desenvolvido por meio de grupos que são conduzidos pela equipe multiprofissional das unidades de saúde (composta por médico, enfermeiro, assistente social e psicólogos) que receberam treinamento para efetivar esta atividade.

O tratamento consiste de encontros que seguem as etapas de acordo com os manuais distribuídos pelo INCA sendo: 1° mês: encontros semanais; 2° mês: encontros quinzenais;3° mês: último encontro para prevenção de recaídas.

Quando necessário são distribuídos os medicamentos de acordo com o grau de dependência identificado nos participantes do grupo. Caso a equipe de saúde identifique a necessidade de acompanhamento do paciente mesmo depois de ter finalizado o grupo, este acompanhamento é feito de acordo com a rotina da Unidade de Saúde.

 

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